A entrevista já foi no início da semana passada.
Dizer que correu bem ou correu mal é demasiado preto no branco quando estas coisas são cheias de nuances em vários tons cinza.
Curiosamente uma das últimas perguntas que me fizeram foi o que tinha achado da entrevista, se tinha corrido bem? E eu respondo que sim, penso que correu bem, não trazia expectativas ou imagens pré-concebidas. Nunca tinha concorrido a uma oferta pública de emprego, nunca tinha estado numa entrevista do género, logo não sabia muito bem ao que ia.
No geral eu diria que a entrevista correu bem, respondi bem às situações e questões que me foram colocadas. Mas houve uma, uma simples pergunta que me fez andar a pensar, angustiada, nisto dias a fio... que me fez temer ter arruinado a minha prestação, que começou brilhante com o resultado da prova, mas mais do que isso, que me confrontou com toda a minha vida, expectativas, sonhos, desilusões, desvios, frustrações. A resposta que dei foi o mais sincera possível, obviamente não entrando em detalhes ou explicações pois não estava propriamente deitada num divã freudiano a fazer psicanálise. Só que é o tipo de resposta que pode ser um tiro nos pés se for mal interpretada.
A pergunta: qual é o seu projecto de vida?
A resposta: de momento nenhum. Há algum tempo atrás, não muito, seria sem dúvida dar aulas, que foi para isso que estudei durante anos e foi a esse projecto de vida que me entreguei. Só que as dificuldades são muitas, cada vez maiores, e eu não posso fazer depender a minha vida de algo que é cada vez mais difícil ou impossível. Portanto a prioridade de momento é encontrar trabalho e a partir daí ir redefinindo o meu projecto de vida.
Que poderia eu responder?
A verdade nua e crua é esta. Neste momento não tenho projecto de vida. Como posso tê-lo? Já tive. Projecto, sonhos, planos, objectivos. Mas por várias razões os caminhos que fui percorrendo foram-me afastando cada vez mais desse projecto. E longe de procurar culpas ou responsabilidades, menos ainda entrar em vitimização como se fosse uma coitadinha contra quem o universo conspira. Já houve momentos em que me martirizei a pensar que decisões erradas tomei que me afastaram desse projecto de vida. Mas não tomei decisões erradas. Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Concorri, enviei dezenas e dezenas e dezenas de CV's para colégios privados, escolas profissionais, centros de explicação, cheguei a concorrer a um concurso para as Novas Oportunidades (quando isso apareceu) e não passei da segunda fase de selecção por, citando o que vinha escrito na carta registada, "não tem experiência em formação de adultos". Uma colega minha também não tinha, com uma média inferior à minha, mas com os "conhecimentos" certos conseguiu... adiante. Quando acabei o curso não tive uns papás que me continuassem a sustentar e a pagar mais estudos. Pelo contrário, os pais divorciaram-se e eu tive que me fazer à vidinha sem ajuda de ninguém. Part-times, trabalhos a recibos verdes, a ganhar 500€ e a trabalhar mais de 12h por dia, muitos fins de semana incluídos e nem um cêntimo a mais. Finalmente consigo um contrato de trabalho que me permitiu ter alguma estabilidade para comprar a minha casa e cumprir um dos objectivos de vida... mas meses depois a empresa muda de instalações para longe, bem mais longe, e a entidade patronal não quis cobrir as despesas de deslocação. A seguir vieram empregos precários, sem futuro, com a componente de trabalho temporário. Nada de colocação no concurso nacional de professores, nunca me chamaram de um colégio privado ou escola profissional, e só uma vez fui chamada para um centro de explicações onde iria receber cerca de 200€ a recibos verdes... e como já não tenho isenção, ainda teria de pôr do meu bolso para fazer os descontos.
Posto isto, onde está a minha falha? Não está. Por muito que lutemos, trabalhemos pelos nossos sonhos ou projectos, conseguir alcançá-los infelizmente não depende só do nosso querer ou lutar. E tenho de aceitar isso. E depois de ter enfrentado uma depressão por sucumbir às desilusões constantes e frustrações de bater com a cara em portas fechadas na busca do meu projecto de vida, a atitude que tomei foi mesmo esta: esvaziar-me de expectativas, de sonhos ou projectos. Estar aberta e disponível às oportunidades que surgirem sem estar presa e obcecada com o que já foi o meu projecto de vida. Estabelecer prioridades de acordo com o que tenho, ou não, em mãos, porque farta de fazer castelos nas nuvens estou eu.
Se isto faz de mim uma pessoa passiva? Talvez. Se faz de mim alguém sem ambições? Provavelmente. Embora eu não encare nesta perspectiva, acredito que possa ser a imagem que traduzo. A meu ver é apenas uma forma de me proteger, de encarar a vida e os seus trilhos com alguma serenidade, que só quem não espera por nada consegue ter. E se não fosse esta minha postura, a esta altura estaria totalmente dominada por uma ansiedade e angústia tais que não dormiria, não comeria e o mais provável era dar cabo de mim em dois dias.
Não estou à espera de nada. Percorro o meu caminho calmamente, atenta ao que surge e que pode ser uma oportunidade, lanço a minha tentativa, porque só consigo alguma coisa se tentar, e sigo caminho sem esperar nada...
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
[Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos]
Cor sensação no Primavera/Verão anterior - CORAL
Cor tendência Primavera/Verão 2012 - TANGERINA
Sinto-me um homem a olhar para uma palete de cores!!
Com o passar dos anos recordo pessoas com quem me cruzei, com as quais convivi e criei laços.
A vida leva-nos para caminhos separados, e juntamente com outras vicissitudes, muitas dessas pessoas ficam para trás, esquecidas na memória que guardo desses tempos. Outras, as importantes que quero que continuem na minha vida e claro, que também elas queiram permanecer, vão-me acompanhando nas diferentes mudanças de percurso.
Mas se muitas pessoas ficaram para trás fruto de um natural afastamento provocado por rumos diferentes, outras há que ficaram para trás por terem magoado, por terem desiludido. E mesmo neste grupo distingo as que ficaram para trás porque realmente não mereciam continuar, outras há a quem se perdoa, porque no fundo, são tão importantes que não as queremos perder.
Ler esta frase lembrou-me disto. De pessoas que me desiludiram e que, ao início até pode ter custado deixar para trás, mas com o passar do tempo se vê que não eram verdadeiramente importantes... e outras a quem dei nova oportunidade, porque aconteça o que acontecer, são demasiado especiais e valem realmente a pena, mesmo que já tenham magoado e desiludido.
Este vem a caminho... e por um preço fantástico de saldos!
Estes dois, já da nova colecção, ficaram debaixo de olho... huuuummmm (suspiro)
La Redoute, pois claro!
Podia ter sido escrito por mim...
Quando se cresce no seio de uma família que só nos desvaloriza, que só crítica e põe para baixo, que só nos vê defeitos e erros, passamos a vida a procurar uma perfeição que não existe para provar que estão errados, que nos julgam mal, que não nos conhecem e nem se dão ao trabalho de conhecer. A impotência dá lugar à insegurança e falta de confiança. E por muitos desafios que já tenha passado na vida e tenha provado, a começar por provar a mim mesma, que sim, sou capaz, a insegurança e falta de confiança é devastadora e conduz sempre a este sentimento de culpa. E quando já não se consegue objectivar a culpa, culpamos o facto de existirmos, de termos nascido como se isso tivesse sido uma escolha nossa.
Sempre fui uma pessoa pacífica. Sempre preferi virar costas a entrar em discussões. Sempre preferi ficar calada a engolir muita coisa só para não alimentar confusões e dar azo a intrigas. Quando chego ao limite da paciência, quando não dá para engolir mais, prefiro afastar-me, ser/parecer indiferente, não dar as caras só para não ter de levar com mais do mesmo e poder cair no "erro" de responder à letra, deitando lenha na fogueira e piorando as coisas, isto porque as ditas pessoas envolvidas são aquelas que não estão abertas a diálogo nem tão pouco a ouvir os outros.
Ora posto isto, sou presa por ter cão e por não ter. Se apareço, se visito, há sempre tretas, bocas e confusões. Se não apareço, continuam comigo nos dentes e eu a ter fama de tudo e mais alguma coisa.
Tou farta. Fartinha. Por mais que bata com a cabeça na parede e pense que raio fiz eu, a única conclusão a que chego é: ter nascido!
Fónix... devia ser orfã!
Sábado. 17h30. AINDA DORME!!!
Há dias que fico possessa. Mas que posso fazer?! Pois...
Desta vez veio sem adesivo. Já deve estar habituado a estas andanças. Vinha um pouco tonto, a cambalear, o que até tem a sua piada, parece que andou numa noite de copos. Mas nada disso o demoveu de se instalar em frente à ração e comer, comer, comer. Por alguma coisa o tratamos por Gordo! São só 8 kg de gato, o que é isso?!!
Portou-se muito bem, o meu menino lindo! Deixa-me toda orgulhosa!
Faz-me lembrar os idos tempos de estudante, especificamente aquelas aulas aborrecidas de morte em que não se tirava os olhos do relógio e se suspirava pelo toque de saída... é que para esta coisa do bi-horário ter resultados na factura, uma pessoa tem de seguir a tabela horária. Então é ver-me a olhar para o relógio e quando o ponteiro chega à horinha desejada, é pôr máquina de roupa a lavar, acender o forno, bater um bolo, pôr o bolo no forno... agora, vou estender a roupa enquanto o bolo arrefece!